Indico um pequeno e rico documentário sobre Mah Bibi, uma garota de 10 anos que vive como indigente pedindo doações nas ruas do Iraque para manter seus pequenos irmãos vivos. O documentário é uma publicação do CICV, Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
domingo, 9 de março de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
Iraque: por trás das lágrimas das mulheres

O mundo se alimenta de guerras. Não importa se os conflitos são travados por etnias diferentes, por nações em busca de poder ou por numerosas civilizações, as diferenças estão postas em jogo e ninguém mais as suportam.
As conseqüências tomam apenas um caminho: a destruição de lares. As mulheres enfrentam grandes dificuldades quando seus parentes do sexo masculino desaparecem na guerra. Elas vivem em situação de incerteza, apoiando-se na esperança de que seus parentes estejam vivos, e mesmo depois de muito tempo, elas se recusam em acreditar que aquela pessoa esteja morta se não receberem a prova definitiva dos restos mortais. Esta incerteza impede que elas possam estar de luto, e, portanto elas não podem começar o longo processo de cura.
O sofrimento das mulheres no Iraque desperta uma preocupação crescente, com cada vez mais relatos de mortes, violações e seqüestros, além da intimidação e da opressão generalizadas. Três mulheres iraquianas decidiram falar de como é viver sob a ameaça da violência. Para preservar a segurança física e moral, seus nomes foram alterados. "Leyla" é de Anbar, oeste do Iraque. Ela é ativista numa organização de defesa dos direitos das mulheres. "Amina" coordena uma associação humanitária de Bagdá que ajuda órfãos e desabrigados. "Mona" é administradora em Basra. As três participaram de uma conferência sobre as necessidades das mulheres em conflitos, realizada em Amã, na Jordânia, em dezembro de 2006.
Leyla garante que o conflito interno causa tanto efeitos diretos quanto indiretos nas iraquianas. “Como efeito direto, as mulheres perderam de alguma forma a identidade e o status com tudo o que está acontecendo no país. Por exemplo, as mulheres parlamentares não podem assumir totalmente seu status e seu papel. Elas representam apenas números exigidos para preencher as listas eleitorais.”
Os efeitos diretos e indiretos sobre as mulheres não podem ser separados da situação geral, em particular a divisão sectária. “O conflito teve um impacto direto sobre as mulheres, tanto material quanto moralmente”, comentou Amina.
Deslocamentos, assassinatos, seqüestros e casos de violações criaram uma atmosfera de terror e ansiedade. “Acima de tudo isso, já o medo de perder membros da família devido a todos estes riscos e ameaças. De qualquer forma, há um lado positivo, já que os laços familiares tornaram-se mais importantes”, disse Amina.
A violência sectária também afetou fortemente a situação social da mulher iraquiana. O índice de divórcios cresceu, causando danos materiais e psicológicos para as mulheres. A iraquiana caiu dentro de uma grande prisão. Além do mais, a situação financeira e econômica dos homens, a maioria desempregada, piorou, o que põe um peso extra sobre as mulheres.
Os conflitos, com freqüência, são gerados pela perda generalizada da segurança e por intervenções externas. “Eu penso que o problema no Iraque é passageiro. Tenhamos esperança de que este é um problema que terá um fim dentro de certo tempo, com a determinação do povo iraquiano de reconstruir seu país”, falou Mona.
As guerras formam uma realidade insuportável e devem ser combatidas literalmente. Precisamos dar vozes a estes e muitos outros depoimentos de mulheres destruídas pelos jogos políticos. Decidi publicar estas informações depois que tive a oportunidade de ler as entrevistas das três iraquianas divulgadas pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
As conseqüências tomam apenas um caminho: a destruição de lares. As mulheres enfrentam grandes dificuldades quando seus parentes do sexo masculino desaparecem na guerra. Elas vivem em situação de incerteza, apoiando-se na esperança de que seus parentes estejam vivos, e mesmo depois de muito tempo, elas se recusam em acreditar que aquela pessoa esteja morta se não receberem a prova definitiva dos restos mortais. Esta incerteza impede que elas possam estar de luto, e, portanto elas não podem começar o longo processo de cura.
O sofrimento das mulheres no Iraque desperta uma preocupação crescente, com cada vez mais relatos de mortes, violações e seqüestros, além da intimidação e da opressão generalizadas. Três mulheres iraquianas decidiram falar de como é viver sob a ameaça da violência. Para preservar a segurança física e moral, seus nomes foram alterados. "Leyla" é de Anbar, oeste do Iraque. Ela é ativista numa organização de defesa dos direitos das mulheres. "Amina" coordena uma associação humanitária de Bagdá que ajuda órfãos e desabrigados. "Mona" é administradora em Basra. As três participaram de uma conferência sobre as necessidades das mulheres em conflitos, realizada em Amã, na Jordânia, em dezembro de 2006.
Leyla garante que o conflito interno causa tanto efeitos diretos quanto indiretos nas iraquianas. “Como efeito direto, as mulheres perderam de alguma forma a identidade e o status com tudo o que está acontecendo no país. Por exemplo, as mulheres parlamentares não podem assumir totalmente seu status e seu papel. Elas representam apenas números exigidos para preencher as listas eleitorais.”
Os efeitos diretos e indiretos sobre as mulheres não podem ser separados da situação geral, em particular a divisão sectária. “O conflito teve um impacto direto sobre as mulheres, tanto material quanto moralmente”, comentou Amina.
Deslocamentos, assassinatos, seqüestros e casos de violações criaram uma atmosfera de terror e ansiedade. “Acima de tudo isso, já o medo de perder membros da família devido a todos estes riscos e ameaças. De qualquer forma, há um lado positivo, já que os laços familiares tornaram-se mais importantes”, disse Amina.
A violência sectária também afetou fortemente a situação social da mulher iraquiana. O índice de divórcios cresceu, causando danos materiais e psicológicos para as mulheres. A iraquiana caiu dentro de uma grande prisão. Além do mais, a situação financeira e econômica dos homens, a maioria desempregada, piorou, o que põe um peso extra sobre as mulheres.
Os conflitos, com freqüência, são gerados pela perda generalizada da segurança e por intervenções externas. “Eu penso que o problema no Iraque é passageiro. Tenhamos esperança de que este é um problema que terá um fim dentro de certo tempo, com a determinação do povo iraquiano de reconstruir seu país”, falou Mona.
As guerras formam uma realidade insuportável e devem ser combatidas literalmente. Precisamos dar vozes a estes e muitos outros depoimentos de mulheres destruídas pelos jogos políticos. Decidi publicar estas informações depois que tive a oportunidade de ler as entrevistas das três iraquianas divulgadas pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
sábado, 1 de março de 2008
As Primárias Eleitorais Americanas
Gunther Rudizt
A política americana não é mais a mesma. Tradicionalmente, ao fim da primeira metade do processo das primárias eleitorais, os dois principais partidos, o Democrata e o Republicano, já teriam definido qual candidato venceria.
Mas este ano a disputa, pelo menos do lado dos democratas, deve ir até a convenção do partido, em agosto, e os republicanos deverão ter o seu candidato definido ao fim da próxima grande rodada de primárias estaduais. Qual seria a razão para tanta disputa assim esse ano?
O próximo presidente vai herdar uma “herança maldita”, como se falou muito aqui no Brasil. O governo George W. Bush teve um início contestado, afinal, ganhou a presidência com menos votos diretos do que seu concorrente, o ex-vice-presidente Al Gore, e só depois de um confuso processo judicial que chegou até a Suprema Corte, é que ele foi considerado o vencedor.
Mas com os atentados de 2001 sua popularidade subiu rapidamente para mais de 80%, e o país passou a viver em constante “guerra contra o terror”. Essa realidade fez com que o presidente conseguisse a sua reeleição e passasse a quase totalidade dos seus dois mandatos com índices de aprovação acima dos 50%.
Mas quando faltava um ano e meio para a sua sucessão, o governo W. Bush passou a ser criticado por todos, e chega ao fim da sua gestão com uma das piores avaliações na história do país. Dependendo das pesquisas, abaixo dos 30%, superando a rejeição ao ex-presidente Richard Nixon que renunciou antes do fim do seu mandato no início dos anos 70.
Essa impopularidade se deve a vários fatores, como seguro saúde, assistência para medicamentos, assistência social, empobrecimento médio da população, imigração, mas dois são fundamentais: a guerra no Iraque e a crise econômica. Estes dois últimos pontos são muito importantes para o cidadão americano.
A guerra no Iraque - que já dura cinco anos - matou aproximadamente quatro mil soldados, e traz à memória o fantasma da guerra do Vietnã. Não pelo número de americanos mortos, já que naquela guerra foram ao redor de cinqüenta e cinco mil, mas sim, pela impossibilidade de ganhar e o país ter que “se afundar” em um longo conflito.
O fator econômico sempre foi importante para o povo americano, e algumas eleições já foram decididas devido a crises econômicas, como foi o caso do presidente Jimmy Carter, que não conseguiu se reeleger em 1981, e George H. Bush (pai do atual presidente), que também não conseguiu se reeleger em 1993. Assim, fica um pouco mais claro, o porquê há uma disputa tão grande no partido Democrata.
A economia americana encontra-se em crise e o grande debate é se ela se tornará uma grande recessão ou não. Com a eleição marcada para o dia quatro de novembro, é praticamente certo que o candidato democrata será escolhido o quadragésimo - quarto presidente americano -, pois até lá, mais eleitores estarão sentido os problemas econômicos nas suas vidas. E é por isso que Barack Obama e Hillary Rodham Clinton estão tão empenhados em serem designados candidatos presidenciais pelos democratas.
Essa escolha não será fácil, mesmo porque os dois representam duas percepções opostas para os eleitores americanos. Hillary Clinton é vista como a continuidade da “política de sempre” de Washington, com seus vícios e corrupção. Seria a volta do seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, e por isso ela procura usar a imagem de que tem experiência para governar o país em tempos difíceis, inclusive em termos econômicos.
Já Obama, por ser jovem (46 anos) e estar em seu primeiro mandato como senador, é acusado de inexperiente, principalmente em política externa. Contudo, ele usa a sua imagem de jovem, não comprometido com a politicalha e a idéia de mudança, como slogan da sua campanha.
Devido a essa divisão, é muito provável que após a próxima “grande primária”, que será dia 4 de março, nenhum candidato consiga o número de delegados necessários para ser considerado vencedor. E isso tornará imprescindível uma grande habilidade política para a negociação até o final da convenção. Mas devido ao histórico de cada candidato, e depois de uma campanha muito acirrada, fica difícil imaginar que consigam um acordo para que um seja candidato à vice-presidente pelo outro.
É com essa divisão que os republicanos contam, especialmente John McCain, que já pode ser considerado o candidato do partido Republicano. Após concorrer nas duas últimas prévias e perder para o atual presidente, McCain aposta em um discurso mais moderado e tenta agradar aos eleitores independentes, sem filiação partidária.
Contudo, sem o apoio maciço do seu próprio partido - que parece que vai acontecer tendo em vista que muitos não o consideram conservador suficiente - será difícil ele concorrer em pé de igualdade com os democratas.
Por tudo isso, é praticamente certo que este ano os americanos quebrarão um tabu. Eles deverão eleger um negro ou uma mulher pela primeira vez presidente.
Por Gunther Rudzit, doutor em Ciência Política pela USP, mestre em National Security pela Georgetown University, ex-assessor do Ministro da Defesa e professor de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco.
A política americana não é mais a mesma. Tradicionalmente, ao fim da primeira metade do processo das primárias eleitorais, os dois principais partidos, o Democrata e o Republicano, já teriam definido qual candidato venceria.
Mas este ano a disputa, pelo menos do lado dos democratas, deve ir até a convenção do partido, em agosto, e os republicanos deverão ter o seu candidato definido ao fim da próxima grande rodada de primárias estaduais. Qual seria a razão para tanta disputa assim esse ano?
O próximo presidente vai herdar uma “herança maldita”, como se falou muito aqui no Brasil. O governo George W. Bush teve um início contestado, afinal, ganhou a presidência com menos votos diretos do que seu concorrente, o ex-vice-presidente Al Gore, e só depois de um confuso processo judicial que chegou até a Suprema Corte, é que ele foi considerado o vencedor.
Mas com os atentados de 2001 sua popularidade subiu rapidamente para mais de 80%, e o país passou a viver em constante “guerra contra o terror”. Essa realidade fez com que o presidente conseguisse a sua reeleição e passasse a quase totalidade dos seus dois mandatos com índices de aprovação acima dos 50%.
Mas quando faltava um ano e meio para a sua sucessão, o governo W. Bush passou a ser criticado por todos, e chega ao fim da sua gestão com uma das piores avaliações na história do país. Dependendo das pesquisas, abaixo dos 30%, superando a rejeição ao ex-presidente Richard Nixon que renunciou antes do fim do seu mandato no início dos anos 70.
Essa impopularidade se deve a vários fatores, como seguro saúde, assistência para medicamentos, assistência social, empobrecimento médio da população, imigração, mas dois são fundamentais: a guerra no Iraque e a crise econômica. Estes dois últimos pontos são muito importantes para o cidadão americano.
A guerra no Iraque - que já dura cinco anos - matou aproximadamente quatro mil soldados, e traz à memória o fantasma da guerra do Vietnã. Não pelo número de americanos mortos, já que naquela guerra foram ao redor de cinqüenta e cinco mil, mas sim, pela impossibilidade de ganhar e o país ter que “se afundar” em um longo conflito.
O fator econômico sempre foi importante para o povo americano, e algumas eleições já foram decididas devido a crises econômicas, como foi o caso do presidente Jimmy Carter, que não conseguiu se reeleger em 1981, e George H. Bush (pai do atual presidente), que também não conseguiu se reeleger em 1993. Assim, fica um pouco mais claro, o porquê há uma disputa tão grande no partido Democrata.
A economia americana encontra-se em crise e o grande debate é se ela se tornará uma grande recessão ou não. Com a eleição marcada para o dia quatro de novembro, é praticamente certo que o candidato democrata será escolhido o quadragésimo - quarto presidente americano -, pois até lá, mais eleitores estarão sentido os problemas econômicos nas suas vidas. E é por isso que Barack Obama e Hillary Rodham Clinton estão tão empenhados em serem designados candidatos presidenciais pelos democratas.
Essa escolha não será fácil, mesmo porque os dois representam duas percepções opostas para os eleitores americanos. Hillary Clinton é vista como a continuidade da “política de sempre” de Washington, com seus vícios e corrupção. Seria a volta do seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, e por isso ela procura usar a imagem de que tem experiência para governar o país em tempos difíceis, inclusive em termos econômicos.
Já Obama, por ser jovem (46 anos) e estar em seu primeiro mandato como senador, é acusado de inexperiente, principalmente em política externa. Contudo, ele usa a sua imagem de jovem, não comprometido com a politicalha e a idéia de mudança, como slogan da sua campanha.
Devido a essa divisão, é muito provável que após a próxima “grande primária”, que será dia 4 de março, nenhum candidato consiga o número de delegados necessários para ser considerado vencedor. E isso tornará imprescindível uma grande habilidade política para a negociação até o final da convenção. Mas devido ao histórico de cada candidato, e depois de uma campanha muito acirrada, fica difícil imaginar que consigam um acordo para que um seja candidato à vice-presidente pelo outro.
É com essa divisão que os republicanos contam, especialmente John McCain, que já pode ser considerado o candidato do partido Republicano. Após concorrer nas duas últimas prévias e perder para o atual presidente, McCain aposta em um discurso mais moderado e tenta agradar aos eleitores independentes, sem filiação partidária.
Contudo, sem o apoio maciço do seu próprio partido - que parece que vai acontecer tendo em vista que muitos não o consideram conservador suficiente - será difícil ele concorrer em pé de igualdade com os democratas.
Por tudo isso, é praticamente certo que este ano os americanos quebrarão um tabu. Eles deverão eleger um negro ou uma mulher pela primeira vez presidente.
Por Gunther Rudzit, doutor em Ciência Política pela USP, mestre em National Security pela Georgetown University, ex-assessor do Ministro da Defesa e professor de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Saúde pode afetar o Império
O cineasta Michael Moore parece estar, realmente, decidido a mostrar as fissuras da sociedade estadunidense e reiterar que o Império continua caminhando à beira do abismo, ou melhor, do ridículo.
Depois dos filmes Roger and Me (1989), Tiros em Columbine (2002) e Fahrenheit 9/11 (2004), Moore pretende, armado com uma câmera, atingir o coração dos norte-americanos em SOS Saúde, o mais novo documentário, que tem a estréia prevista para a sexta-feira, 29.
A idéia principal é revelar histórias de vítimas dos seguros de saúde. Menos manipulador, o cineasta começa apresentando um homem com problemas cardíacos e sua esposa com suspeita de câncer.
O atrativo está na deficiência do plano de saúde, que recusa a tentativa do casal de fazer o tratamento. Sem apoio do governo norte-americano, os dois vendem a casa para arcar com os elevados custos hospitalares.
Tomando um caminho parecido, um estudo publicado neste mês na Pediatrics revelou grandes diferenças no atendimento à saúde nos Estados Unidos.
Com o objetivo de mapear as diferenças raciais e étnicas relacionadas aos serviços médico e odontológico usufruídos por crianças nos país, os pesquisadores Flores e Tomany-Korman, da University of Texas, selecionaram e analisaram informações do National Survy of Children´s Health, uma pesquisa nacional realizada por telefone, entre os anos de 2003 e 2004, com pais e guardiões de 102.353 crianças de 0 a 17 anos.
Os autores selecionaram 40 medidas de status de saúde geral e bucal, de acesso ao atendimento e uso de serviços. A partir daí, eles examinaram possíveis diferenças em saúde para brancos, afro-descendentes, latino, asiáticos e oriundos da Ilha do Pacífico, índios e crianças multirraciais.
Assim, os pesquisadores identificaram diferenças significativas como, por exemplo, as relacionadas ao seguro saúde. Enquanto apenas 6% dos brancos não possuíam seguros, 21% dos latinos, 15% dos índios, 7% dos afro-descendentes e 4% dos asiáticos e provenientes das ilhas do Pacífico não eram segurados.
E continuaram, 90% dos brancos possuíam uma fonte usual definida para a saúde. Já os índios apresentaram 61% , os latinos, 68%, os afro-descendentes, 77%, e, por fim, 87% de asiáticos e oriundos das ilhas do Pacífico tinham tal fonte definida.
Os pesquisadores afirmaram na publicação que ainda nas análises multivariadas foi possível notar muitas diferenças para um ou mais grupos de minoria. Vale destacar que algumas diferenças foram particularmente marcadas para grupos raciais/étnicos.
Informações com a Agência Notisa (science journalism).
Depois dos filmes Roger and Me (1989), Tiros em Columbine (2002) e Fahrenheit 9/11 (2004), Moore pretende, armado com uma câmera, atingir o coração dos norte-americanos em SOS Saúde, o mais novo documentário, que tem a estréia prevista para a sexta-feira, 29.
A idéia principal é revelar histórias de vítimas dos seguros de saúde. Menos manipulador, o cineasta começa apresentando um homem com problemas cardíacos e sua esposa com suspeita de câncer.
O atrativo está na deficiência do plano de saúde, que recusa a tentativa do casal de fazer o tratamento. Sem apoio do governo norte-americano, os dois vendem a casa para arcar com os elevados custos hospitalares.
Tomando um caminho parecido, um estudo publicado neste mês na Pediatrics revelou grandes diferenças no atendimento à saúde nos Estados Unidos.
Com o objetivo de mapear as diferenças raciais e étnicas relacionadas aos serviços médico e odontológico usufruídos por crianças nos país, os pesquisadores Flores e Tomany-Korman, da University of Texas, selecionaram e analisaram informações do National Survy of Children´s Health, uma pesquisa nacional realizada por telefone, entre os anos de 2003 e 2004, com pais e guardiões de 102.353 crianças de 0 a 17 anos.
Os autores selecionaram 40 medidas de status de saúde geral e bucal, de acesso ao atendimento e uso de serviços. A partir daí, eles examinaram possíveis diferenças em saúde para brancos, afro-descendentes, latino, asiáticos e oriundos da Ilha do Pacífico, índios e crianças multirraciais.
Assim, os pesquisadores identificaram diferenças significativas como, por exemplo, as relacionadas ao seguro saúde. Enquanto apenas 6% dos brancos não possuíam seguros, 21% dos latinos, 15% dos índios, 7% dos afro-descendentes e 4% dos asiáticos e provenientes das ilhas do Pacífico não eram segurados.
E continuaram, 90% dos brancos possuíam uma fonte usual definida para a saúde. Já os índios apresentaram 61% , os latinos, 68%, os afro-descendentes, 77%, e, por fim, 87% de asiáticos e oriundos das ilhas do Pacífico tinham tal fonte definida.
Os pesquisadores afirmaram na publicação que ainda nas análises multivariadas foi possível notar muitas diferenças para um ou mais grupos de minoria. Vale destacar que algumas diferenças foram particularmente marcadas para grupos raciais/étnicos.
Informações com a Agência Notisa (science journalism).
O Brasil frente ao gás boliviano
Após a estatização dos ativos da Petrobras, o governo boliviano deixou de prosseguir com os investimentos necessários ao aumento da produção de gás. Como conseqüência, estão faltando mais de 4 milhões de metros cúbicos diários do produto para atender contratos assinados com o Brasil e Argentina.
Na tentativa de resolver o impasse, a Bolívia tentou, há algumas semanas, negociar com o governo brasileiro a redução das quantidades a serem exportadas para o Brasil, com o intuito de repassá-las à Argentina.
Para o administrador de empresas Carlos Stempniewski, professor do curso de Administração das Faculdades Integradas Rio Branco, o importante é lembrar que a Argentina, pela sua maior dependência desse produto, remunera melhor o metro cúbico. Se tal estratégia fosse aceita, seria mais um remendo nos contratos assinados pelo Brasil com o governo boliviano e revistos pelos atuais mandatários do poder.
“O presidente da Petrobras, desta vez, desde o primeiro momento, vem se posicionando contra as pretensões bolivianas e, na última reunião entre Bolívia, Brasil e Argentina, o governo brasileiro ratificou sua posição em não aceitar redução na cota de gás contratado e se dispôs a vender energia para a Argentina, caso este viesse a necessitar”, explicou Stempniewski.
Esta decisão, se não for mudada mais uma vez, representa um avanço na atitude demonstrada pelo governo, que face a episódios anteriores colocou em risco os altos investimentos realizados pela iniciativa privada, na direção de criar alternativas aos combustíveis fósseis.
Os acionistas da Petrobras encontram-se, em parte, decepcionados pelo desempenho da empresa nos últimos meses face aos resultados alcançados no passado e ao ufanismo das descobertas da bacia de Tupi.
Segundo Stempniewski, a venda de energia pura para a argentina é bem mais interessante para o Brasil, que pode cobrar mais caro do que custaria, para nossos vizinhos, o gás in natura importado.
“É chegada a hora do governo brasileiro considerar, em primeiro lugar, os interesses do país de uma maneira geral antes de tentar resolver os problemas de países vizinhos, que sonham com revoluções utópicas no velho estilo de Marx, quando nos primórdios do século passado escreveu sua obra antológica", concluiu o administrador e mestre universitário.
Na tentativa de resolver o impasse, a Bolívia tentou, há algumas semanas, negociar com o governo brasileiro a redução das quantidades a serem exportadas para o Brasil, com o intuito de repassá-las à Argentina.
Para o administrador de empresas Carlos Stempniewski, professor do curso de Administração das Faculdades Integradas Rio Branco, o importante é lembrar que a Argentina, pela sua maior dependência desse produto, remunera melhor o metro cúbico. Se tal estratégia fosse aceita, seria mais um remendo nos contratos assinados pelo Brasil com o governo boliviano e revistos pelos atuais mandatários do poder.
“O presidente da Petrobras, desta vez, desde o primeiro momento, vem se posicionando contra as pretensões bolivianas e, na última reunião entre Bolívia, Brasil e Argentina, o governo brasileiro ratificou sua posição em não aceitar redução na cota de gás contratado e se dispôs a vender energia para a Argentina, caso este viesse a necessitar”, explicou Stempniewski.
Esta decisão, se não for mudada mais uma vez, representa um avanço na atitude demonstrada pelo governo, que face a episódios anteriores colocou em risco os altos investimentos realizados pela iniciativa privada, na direção de criar alternativas aos combustíveis fósseis.
Os acionistas da Petrobras encontram-se, em parte, decepcionados pelo desempenho da empresa nos últimos meses face aos resultados alcançados no passado e ao ufanismo das descobertas da bacia de Tupi.
Segundo Stempniewski, a venda de energia pura para a argentina é bem mais interessante para o Brasil, que pode cobrar mais caro do que custaria, para nossos vizinhos, o gás in natura importado.
“É chegada a hora do governo brasileiro considerar, em primeiro lugar, os interesses do país de uma maneira geral antes de tentar resolver os problemas de países vizinhos, que sonham com revoluções utópicas no velho estilo de Marx, quando nos primórdios do século passado escreveu sua obra antológica", concluiu o administrador e mestre universitário.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Bon Bagay Haiti

Com oportunismo, força de vontade, profissionalismo e graça de Deus, eu fui um dos selecionados para participar do VI Curso de Informação sobre Jornalismo em Situações de Conflito Armado do Projeto Repórter do Futuro, organizado em parceria com o Oboré, ABRAJI, Cruz Vermelha, entre outras entidades.
Eu volto a mencionar este curso por sua importância ao futuro dos estudantes de jornalismo e profissionais de comunicação. E, em meio aos diversos debates ocorridos durante o mês de outubro passado, tive a oportunidade de conhecer um documentário que aborda o cotidiano de haitianos de Cité Soleil, favela ocupada pela ONU, Organização das Nações Unidas, para acabar com os grupos armados.
O Haiti passou a ser destaque na imprensa a partir do momento em que as tropas militares brasileiras desembarcaram em território haitiano trazendo consigo jornalistas de várias partes do mundo. Uma campanha militar que perdura há quase quatro anos.
E foi durante uma destas aulas no Oboré que o coronel Cunha Mattos, chefe da Seção de Informações Públicas do Centro de Comunicação do Exército, comentou a forma singular dos soldados brasileiros de oferecer segurança ao povo do Haiti.
“Têm ações que o exército faz para assistencializar os cidadãos em situação de conflito. Os soldados brasileiros são os únicos que param para conversar com o haitiano, mesmo sem saber falar o idioma nativo”, explicou o coronel.
As vozes desses pobres habitantes, no entanto, raras vezes foram ouvidas pela imprensa. Foi querendo dar voz à comunidade que uma equipe multimídia da Agência Brasil, formada pelos jornalistas Aloisio Milani, na direção, Marcello Casal Junior, fotografia, e Oswaldo Alves, cinegrafia, partiu para registrar o cotidiano da mais pobre favela de Porto Príncipe.
O resultado é um web-documentário que mostra, pelos olhos de três personagens, como vivem os moradores da favela ocupada pelas Nações Unidas para acabar com grupos armados. A maior favela do Caribe foi o último marco da segurança conquistado durante a missão. Os capacetes-azuis conseguiram controlar a situação de violência nas favelas, mas a pobreza e a crise social se mantêm como o maior desafio para o país.
Para conhecer parte da vida deste grandioso povo, nada melhor que acompanhar o vídeo Bon Bagay Haiti, que significa "gente boa" em creoule.
http://www.agenciabrasil.gov.br/grandes-reportagens/2007/10/16/grande_reportagem.2007-10-16.7469583908/view
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